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Mundo se tornou lugar 'mais sombrio e instável em 2016', diz Anistia Internacional
22/02/2017 - 8h03 em Mundo

 

Organização divulgou relatório sobre situação em 159 países nesta terça (21). 'Retórica de ódio e desumanização' deram passe livre para discriminação, diz documento.

 

A Anistia Internacional adotou um tom pessimista ao divulgar seu relatório anual “O Estado dos Direitos Humanos no Mundo”, no qual analisa a situação de 2016 em 159 países. Os dados foram apresentados nesta terça (21) e apontam que o mundo “se tornou um lugar mais sombrio e instável”, nas palavras do secretário-geral da organização, o indiano Salil Shetty.

Um dos principais motivos, segundo o documento, foi o reforço da retórica “nós contra eles” e da política de atribuir ao outro a culpa pelos problemas. Em parte do relatório, a AI afirma que “a retórica do ódio, da divisão e da desumanização liberou os instintos mais sombrios da natureza humana. Ao jogar a responsabilidade coletiva por problemas sociais e econômicos em grupos específicos, em geral minorias étnicas ou religiosas, os que detêm o poder deram passe livre para discriminação e crimes de ódio, em especial na Europa e nos EUA”.

Membros da Anistia Internacional e apoiadores participam de Marcha das Mulheres em Washington em 21 de janeiro de 2017 (Foto: Anistia Internacional)

 

Valores em risco

 

A preocupação é tamanha que a Anistia Internacional chega a afirmar que, nesse cenário, a certeza dos valores articulados na Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 corre o risco de ser dissolvida.

Entre os fatos apontados para ilustrar seus temores, o relatório documenta como 36 países violaram leis internacionais enviando ilegalmente refugiados de volta a países onde seus direitos estavam sob risco. Menciona ainda a eleição de Donald Trump nos EUA, apoiada em uma campanha “marcada pela misoginia e xenofobia, e promessas de restrição de liberdades civis e introdução de políticas que podem ser bastante contrárias aos direitos humanos”.

Também são citados a repressão a vozes dissidentes em muitos países, com menção especial a China, Egito, Etiópia, Índia, Irã, Tailândia e Turquia, e a política de combate às drogas nas Filipinas, que já causou as mortes de milhares de pessoas que não tiveram qualquer envolvimento comprovado com o tráfico.

Mulher reage ao ver o corpo de seu pai sendo levado pela polícia após ele ser morto em uma operação policial em Manila, no ano passado (Foto: Damir Sagolj/Reuters)

“O alarmismo partidarista se tornou uma força perigosa nas relações internacionais. Seja Trump, Orban, Erdogan ou Duterte, cada vez mais políticos, que se autointitulam anti-establishment, estão levantando uma bandeira ferina que persegue, culpabiliza e desumaniza grupos inteiros”, ressalta Shetty.

O documento destaca ainda que é preciso questionar a falta de reação dos governantes para que a situação não se torne ainda pior. “A comunidade internacional já tem respondido a inúmeras atrocidades em 2016 com um silêncio ensurdecedor: uma transmissão ao vivo dos horrores em Aleppo, milhares de pessoas mortas pela polícia na “guerra contra as drogas” nas Filipinas, uso de armas químicas e centenas de aldeias incendiadas em Darfur. A grande questão em 2017 será: até que ponto o mundo continuará permitindo tamanhas atrocidades antes de fazer algo em relação a elas?”, questiona.

 

Brasil

 

Sobre o Brasil, o relatório afirma que, após o impeachment de Dilma Rousseff (PT), o novo governo de Michel Temer (PMDB) “anunciou diversas medidas e propostas que podem ter impacto sobre os direitos humanos, inclusive uma emenda constitucional (PEC 241/55) que limita os gastos do governo durante os próximos 20 anos, e que pode ter efeitos negativos nos investimentos em educação, saúde e outras áreas”.

Ainda segundo a Anistia, no Congresso estão em discussão várias propostas que prejudicariam os direitos das mulheres, povos indígenas, crianças, e lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros e intersexuais (LGBTI).

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